Escrever é uma experiência curiosa. Pelo menos para mim.
Quando escrevo tento organizar aquela bagunça, aquele emaranhado de fatos que parecem corriqueiros, desconexos e, não raro, efêmeros.
O céu azul que encanta no meio do dia, naquela ida à banca para pegar algo para comer ou beber, se liga com aquela decisão importante ou àquele "sim" espontâneo, não pensando e que comprometeu sua hora livre ou seu final de semana.
Aquela buzinada para o motorista abusado que te fechou se liga de maneira clara com aquele não ou aquela mentira revelada.
E por aí posso listar outros inúmeros exemplos.
Parece pouco, parece raso, mas para mim é importante.
Não gosto de seguir me deixando levar, caminhar sem entender porque ou sem olhar para o lado e pensar em alternativas.
Também não gosto de sufocar aquilo que me sufoca. É um braço de ferro desleal. Que força tem o sufocado para tentar se defender, afinal?
Então escrevo. Escrevo tentando perceber alguma lógica, algum sentido. E assim o texto vai sendo reescrito algumas vezes. Por vezes mais de uma dezena de vezes!
Até que a estrutura se complete e fique ali: pronta! exata! lógica!
E ao final de cada texto me lembro sempre do que Fernando Pessoa escreveu: "Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre do sentir".